quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Meu jeito silencioso de pensar
Meu jeito silencioso de pensar
As palavras às vezes nos surpreendem, pois muitas vezes chegam silenciosas trazendo gritos do coração e da alma transmitidos pelo olhar. Palavras transmitidas pelos pensamentos e traduzidas pela intuição. Muitos desses gritos calados estão emudecidos pelas amarras do amor. O amor que parece uma estrada infinita sem começo e sem fim mantendo-nos aprisionados eternamente sem encontrar a saída.
Somos uma escultura em obra permanente, onde são lapidados nossos detalhes e mudado nossas formas, desta maneira nos tornamos obras lindas que nunca ficarão prontas, já que somos detalhados por mãos humanas que nem sempre sabem o que realmente querem.
Nas mãos e no coração dessas pessoas é que esta a força e o poder do amor, que no momento ápice do prazer lança uma chuva de sementes dando origem à vida, que cresce brota e aflora seus desejos se misturando e se espalhando pelo mundo no exato momento em que anjos se amando deixam de ser anjos e passam a ser pecadores.
Não é difícil encontrar um apaixonado perdido no mundo da lua confuso em seus próprios sonhos, uma vez que eles já o envolveram e o consumiram em desejos deixando apenas um ponto no escuro da intuição, onde cada pensamento é uma estrelinha riscando o céu da inspiração, da vontade e da emoção.
As lágrimas ocultas escondidas na noite viraram segredos do coração, fortalecendo o labirinto do orgulho que é o grande inimigo do amor e capaz de confundir as decisões. Será que as dúvidas dessa noite vão passar? Não! Porque a resposta sempre será a mesma: A culpa é toda do outro.
Deve haver um jeito de viver e ser feliz nos extremos da vida, onde somos envenenados por um veneno de cor vermelha que vem de um frasco em constante movimento situado no peito, onde a dose é aplicada com beijos anestesiantes e no momento da paixão louca a picada da serpente, uma picada penetrante na carne que acerta o coração inocente anestesiado por beijos venenosos, que faz o corpo tremer ardendo em febre de loucura e paixão.
Às vezes o amor fica petrificado na alma, por uma decepção amorosa e mal resolvida que não consegue ser diluída pela corrente sanguinea. Como encontrar a cura? Estaria a cura no próprio amor em doses cavalares de carinho e beijos de montão. Enfim! Não sei se somos nós que não entendemos o amor ou é ele que não nos entende.
Ficamos apaixonados um pelo outro, nosso coração pulsa lançando o sangue quente pelo corpo como raios solares ardentes que fazem suar de desejo, queimando a pele, estampando o olhar e o sorriso iluminados por uma doença sem cura chamada amor, mesmo porque ainda não inventaram a cura para a paixão e para aliviar a angústia e a dor só fazendo amor.
Tudo está registrado no DNA dos nossos sonhos, neles estão nossos anseios, vontades e desejos. É sonhando que choramos, brincamos, fazemos mágicas e amamos. Sonhando, brilhamos felizes em mágicas de desejos, onde saboreamos esperanças de que um amor gostoso nunca vai acabar ou alimentamos expectativas de que um grande amor realmente acontecerá.
Entre a pizza e o hambúrguer fico confuso, talvez por estar em posição de uma página toda rabiscada de uma vida difícil de entender, uma vez que as lagartas lançadas ao vento por palavras vindas como borboletas bonitas se apoderam do meu cérebro me deixando sem raciocínio, fazendo minha cabeça oca virar um circulo vazio, uma bola coberta de cabelos que olha o mundo afora e percebe que está perdido, pois um dia se apaixonou.
ZzipperR
Paulo Ribeiro de Alvarenga
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Cata-vento
Cata-vento
Tudo começou em um enorme e velho cata-vento construído no topo de uma montanha, o qual todos diziam ser abandonado. Ninguém sabia dizer se aquele fantasma gigante com suas grandes pás girando era uma maldição e até evitavam fazer perguntas por medo ou receio de sofrer algum mal, fato é que daquele grande cata-vento velho saía todos os dias uma garota com seu vestidinho rosa correndo a brincar e descia até a cidade para vender pequenos cata-ventos coloridos.
Havia alguma habilidade secreta de transformação ágil e repentina naquela colina viva. Uma capacidade incompreensível pela competência humana capaz de uma reflexão contagiante em um simples olhar. Será que a maldição estaria no velho cata-vento ou na mata que o rodeava?
A menina rosa chega à cidade acenando com o suave soprar do vento, trocando pensamentos em silêncio com a sabedoria de um velho cata-vento, girando com seu vestido rosa e respondendo com um leve sopro quente, ardente e inteligente.
Fixo meu olhar e a minha atenção na menina de vestido rosado, mantendo escondida minha curiosidade num sorriso estampado, imaginando qual seria a maldição trazida por ela naqueles olhos dourados, me entregando a ela e me sentindo amarrado, dominado. Lentamente me aproximo dela permanecendo quieto ao seu lado, reparando num pequeno cata-vento que deixa os seus cabelos longos e negros discretamente enfeitados.
Palavras entre nós não existiam, apenas a troca de olhares e a brisa silenciosa do vento lançando gotas geladas por um céu cinzento e no momento em que estava quase escurecendo, o vento aumentou sua intensidade trazendo uma onda de frio que arrepiava, aquela brisa gelada parecia um sinal chamando a menina rosada, que pegou rapidamente os cata-ventos e saiu correndo por uma trilha aparentemente abandonada, atravessando a mata e subindo a montanha.
Mesmo não sabendo seu nome tentei chamá-la, porém não consegui sua atenção e apenas a vi correndo pela trilha que cortava a mata, o contraste do seu vestidinho rosa embelezava a mata como se fosse uma linda flor levada pelo vento num vôo montanha acima.
No alto da montanha escurecida pela queda da noite o grande e velho cata-vento girava lentamente como se estivesse cansado pelo tempo, em cada giro parecia estar chamando sua estrelinha encantada, que no escuro da noite brilhava correndo como uma estrela cadente no meio da mata.
Notem o que aconteceu comigo! O vento frio trazia uma garoa gelada molhando meus cabelos, escorrendo pelo meu rosto e atrapalhando minha visão, aquela maldição se apossou do meu coração, da minha alma, dos meus sentimentos, das minhas vontades e do meu querer me deixando atrapalhado.
Na montanha escura eu via o vulto do grande cata-vento, como se fosse um monstro faminto se alimentando do vento e mantendo no topo de sua cabeça a menina de vestido rosado prisioneira, que num pedido de socorro emitia um foco de luz brilhante em minha direção com um poderoso poder de atração.
A trilha escura parecia assustadora, mesmo assim decidi me arriscar e logo encontrei as pegadas da garota para me orientar, ela deixou cata-ventos de todos os tamanhos decorando a mata que girando me informavam o sentido a seguir.
Cheguei ao pico da montanha e encontrei o grande cata-vento gigante, que frente a frente não parecia tão assustador, mas com o movimento de suas pás ao vento ecoava um som amedrontador assim: Rrruuuuuuááác... Rrruuuuuááác... Rrruuuuuááác... Ao pé do grande cata-vento havia um enorme jardim de pequenos cata-ventos coloridos, todos girando em sintonia.
Toda aquela beleza me deixou fascinado, já que era um espaço surreal muito além do meu imaginário e no momento em que eu apreciava aquela arte tão bela alguém chegou por trás de mim e tapou meus olhos dizendo: - Vamos brincar de esconde-esconde! Conte até vinte depois pode virar.
O toque das suas mãos macias e a sua voz pertinho do meu ouvido me deixou feliz, então resolvi brincar e comecei a contar, depois fui procurá-la. Não havia onde se esconder naquele local, então eu subi no grande cata-vento para olhar do alto, de lá o campo de visão é muito maior e quando eu estava no topo, olhando aquele grande jardim de cata-ventos girando me distrai com uma forte emoção de liberdade, até levei um susto quando meus olhos foram tapados novamente e ela falou: - Você não conseguiu me encontrar, conte até vinte e tente de novo.
Contei e ela sumiu, então resolvi procurá-la naquele imenso jardim de cata-ventos. Eu caminhava e eles pareciam girar para mim, um mais lindo que o outro, tão lindos que pareciam vivos e no momento em que eu me distraí olhando um pequenino cata-vento rosa girando, ela tapou meus olhos novamente, mas desta vez eu não a deixei falar, segurei a sua mão e virei repentinamente fixando meu olhar em seus olhos, nesse erro fatal fui amaldiçoado.
Parecia haver dois cata-ventos girando em seus olhos cor de mel que me atraiam como uma serpente. Eu tentava olhar seus lindos cabelos e era atraído pela hipnose do olhar, tentava olhar sua boca rosada e sedutora, mas era levado novamente para o labirinto do olhar dela, até perder as forças e me entregar numa sensação de estar sendo desligado do mundo.
A menina do cata-vento me levou para longe e nos pensamentos distantes me entregou um cata-vento de fogo que queimou a minha mão atingindo o meu coração, meu sangue começou a ferver deixando minha pele rosada, dos meus olhos surgiam labaredas de paixão e foi beijá-la para meu corpo incendiar queimando no fogo ardente do amor quente. Para aliviar tanto calor só fazendo amor...amar...amar...amar... Depois adormeci.
Amanheceu e com a chegada do sol voltei à vida, mas a menina rosada não estava mais lá, havia apenas o grande jardim de pequenos cata-ventos girando, então resolvi voltar para a cidade e ao chegar encontrei a menina vendendo seus pequenos cata-ventos. Comprei um e ela falou sorrindo: - Agora você me encontrou!
Peguei o cata-vento na mão e sai andando com ele girando, logo percebi que ele queimava em minha mão, era a magia dela invadindo o meu coração e pedindo para eu ficar em seu mundo. O tempo girou, girou, girou e agora eu a ajudo a cuidar daquele lindo e imenso jardim de cata-ventos coloridos. Nós vivemos sonhando no nosso mundo colorido, onde tudo gira feliz.
ZzipperR
Paulo Ribeiro de Alvarenga
domingo, 18 de setembro de 2011
Viver ou sonhar?
Viver ou sonhar?
Nessa caminhada da vida, um dia após o outro, seguimos em passos lentos e nesses passos encontramos tantas contradições da vida, que levam o meu pensamento para vários rumos confrontando passado e futuro.
Lembro da minha infância, época de criança, olhando as meninas brincando de roda e cantando. O tempo passou e ainda continuo vendo-as naquele mesmo lugar como um filme que não se apagou e fica repetindo constantemente na minha mente, como se fosse hoje, mas não é...
Hoje estou no mundo dos adultos e não vejo mais aquelas brincadeiras doces, aquela felicidade delas cantando com pureza rodando, rodando e rodando juntas. Passou...
Crescemos e nos tornamos um bando de imbecis, isso mesmo, pensando ser sempre o mais esperto, se isolando em nossas próprias teorias, se afogando em idéias e nos esquecendo de dar as mãos. O resultado de tudo isso é cair num labirinto e viver na solidão. Hoje, as pessoas não querem mais contatos conversando apenas o indispensável, atitude que leva vizinho a não conhecer vizinho.
Se as pessoas não conhecem nem a si mesmas, como poderão conhecer seus vizinhos. Se elas não se conhecem hoje, como vão se lembrar do passado. Se lembram do passado, é como se não fossem elas mesmas, é como se fossem outras pessoas que não fizeram parte da vida delas.
Dizem que viver é melhor que sonhar. O que seria viver? Como poderíamos realmente ter a certeza de que estamos vivos?
Penso que sonhamos a vida que queremos viver e vivemos a vida que não sonhamos. A vida está sempre em desacordo.
Não sei se sou eu que vivo assim, procurando o que não acho, mas como eu poderia achar, se não sei o que estou procurando. A felicidade! Cadê ela? Quero pegá-la, senti-la, nas mãos, no coração e na alma.
Estou falando, mas não sei se estou desabafando, pois esse desacordo pode ser um problema local, individual, coisa pessoal que atinge apenas um personagem, esse que está expondo um flash do seu filme...
Talvez você nem passe por isso, pois tem uma vida dominada, vivendo todos os seus sonhos. Eu fico feliz de saber que você é uma pessoa realizada, você com certeza tem uma vida perfeita, pois consegue viver todos os seus sonhos. Meus parabéns!
Mas eu não! Eu sou um sonhador e vivo em desacordo, eu vivo na contramão dos meus sonhos, assim vivo vagando num outro mundo, tentando viver a realidade do meu sonho. O sonho é difícil de explicar, mas sei que existe.
Tempo, tempo, tempo, tempo, seu ditador implacável, uma pedra muito pesada no meu caminho, que não me deixa sonhar, quando estou sonhando me deixa sem tempo. Por que faz isso comigo? Eu quero sonhar, mas não tenho tempo.
Agora que estou com um pouco de tempo, peço licença, porque eu quero sonhar e tentar ver o reflexo dos seus olhos e o brilho do seu sorriso no meu sonho. Vou deixar vocês, pois eu tenho que deixar de viver e agora estou com muita vontade de sonhar.
Uma vez um grande pensador chamado ZzipperR falou: “A vida é um sonho e quando acordamos, já estamos do outro lado” Palavras de um louco que não sabe o que fala.
Zip..Zip...Zip...ZzipperR.
Paulo Ribeiro de Alvarenga
domingo, 4 de setembro de 2011
A vitrine da vida
A vitrine da vida
Olhando para uma vitrine viva em uma loja, fiquei um bom tempo admirando e observando aquele manequim humano me olhando. No primeiro momento, ao chegar, eu tinha certeza de que eu era o observador, mas à medida que o tempo passava a dúvida começava a tomar conta de mim, a maneira como eu era observado me colocava como se eu estivesse na vitrine, exposto para todos a todo o momento.
Em um momento de meditação, conclui que na vida tudo é uma exposição, com isso tudo adquire o seu valor em relação ao espaço em que está situado. Um objeto pode não valer nada ou valer muito, dependendo de onde está ou quem está em sua volta, expondo-o ou observando-o.
Assim somos nós, nossos valores estão totalmente vinculados ao que o outro valoriza, não só os bens materiais, mas também valores pessoais ou sociais. Os olhos dos outros é que determinam nossa inclusão ou não em certa faixa social, ou seja, o que eles vêm é o que somos. Assim, para uns somos caros, para outros somos baratos, bonitos ou feios e por fim acabamos entre os incluídos ou excluídos da sociedade.
Pense como se as pessoas que estão à sua volta estivessem te olhando, você em meio a muitos olhos, todos te observando com toda liberdade de pensar e imaginar o seu papel naquele espaço natural da vida. Todos fazemos o mesmo papel. Funciona como se todos carregassem um espelho e por eles enxergássemos nossos detalhes, não só externos como também internos, é a realidade expondo o que somos, se somos bonitos, fortes ou fracos, pré-valorizados e auto valorizados. Este é um momento muito delicado da vida, nem todos suportam a pressão da sociedade, aqueles que não suportam são descartados e eliminados pela marginalização social.
Olhe para este espelho. Você reconhece este rosto?
É melhor você conhecer, se não conhecer, com certeza desconhece seu papel no mundo. E olha que este mundo tem muitos reflexos que podem brilhar ou ofuscar, quanto melhor você enxergar seus reflexos, maiores serão suas oportunidades de reconhecer seus valores e encontrar a felicidade.
Às vezes, quando estamos ali, no meio de todos, sentimos uma coisa estranha, um vazio inexplicável, pois, mesmo rodeado de espelhos com tanta gente em nossa volta, vemos que cada espelho reflete uma imagem diferente. Em alguns a imagem brilha e em outros ela fica apagada, com pouca imagem e pouco reflexo, uma pessoa sem imagem está deixando de existir, é um personagem num espaço inútil, vazio.
A iluminação muda a todo o momento. No cenário tudo muda de posição naturalmente e nós que também fazemos parte desta vitrine natural, mostramos nosso trabalho olhando, falando, pensando, agindo e até dormindo num espaço onde ensinamos e aprendemos com tudo que nos circula. A vitrine é composta de detalhes e nós fazemos parte desta composição, o que torna impossível enxergarmos o que somos, sem o reflexo do julgamento dos olhos alheios. Somos o que eles enxergam e valorizam, por isso damos tanto valor ao julgamento alheio e no julgamento exigente da vida concluímos detalhes que jamais seriamos capazes de concluirmos sozinhos, eles é que decidem se somos jovens ou se já estamos velhos.
Não quero mais ser vitrine da vida! Mesmo assim continuo sendo, onde estiver, mesmo estando sozinho, pois sempre estarei sendo avaliado por alguém. Já que não tem como sair desta vitrine o melhor que temos a fazer é aproveitá-la da melhor maneira possível, aceitando nossos defeitos e procurando refletir com muito brilho nossas virtudes, para que todos que nos rodeiam queiram sempre olhar para nossa vitrine e até fazer parte dela, no mesmo cenário natural da vida.
Como é a sua vitrine neste momento? Como é o cenário? Como você está exposto? Agora se prepare. Que você vai começar a ser avaliado.
Zip...Zip...Zip...ZzipperR.
Paulo Ribeiro de Alvarenga
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
O ponto vácuo da mente
O ponto vácuo da mente
Há momentos em que fleches de vácuo
Atingem nossas mentes;
Fazendo delas canteiros para espalhar sementes
Do bem ou do mal nos amarrando com correntes.
Devemos administrar bem esse espaço
Pois ele não pode dominar nosso presente;
A mente preguiçosa pode ser atacada
Desenvolvendo monstros perigosos do inconsciente.
O vácuo crescente nos encaixota
Lacra, amarra e aperta como uma serpente;
O que fazer?
Se nossa capacidade de decidir está ausente.
O vácuo invasor das mentes vazias
À medida que cresce deixa a reflexão impotente;
Tanto vácuo deixa a mente deficiente
E a sociedade é a culpada, pois deixou a educação ausente.
Meu Deus! O que aconteceu com a minha mente
Será que ela entrou em pane e está dormente;
Encurralado, imponente e impotente
Tornei-me uma pessoa carente.
Zzipperr
Paulo Ribeiro de Alvarenga
sábado, 20 de agosto de 2011
Paulinho e a boneca de pano
Paulinho e a boneca de pano
Fica aqui uma pergunta jogada ao ar:
Existe um momento na vida mais lindo do que a infância?
É fácil responder essa pergunta, basta olhar a felicidade de uma criança com tão pequenas coisas e é dessa beleza inocente com pureza de viver que nasceu a lenda de Paulinho e a boneca de pano, mas primeiro temos que conhecer Paulinho e não se espante, pois ele também é um boneco. Sim! Um boneco feito de madeira velha e que vivia como uma marionete manuseada por um contador de histórias.
Toc...toc...toc...Lá vem Paulinho agarrado em suas cordas! Incrível como ele vem feliz em suas passadas, num caminhar arrastado de quem ainda não aprendeu a andar direito, por isso se apóia nas cordas que às vezes estão esticadas e outras vezes bambas fazendo com que ele perca o equilíbrio.
A vida parece não passar para ele. O tempo! Esse sim não dá tréguas mesmo ele sendo de madeira, mas isso não faz diferença, pois sua cabeça dura não consegue pensar. Seus olhos são incapazes de enxergar. Se falam a sua volta é indiferente, já que seus ouvidos são de madeira e sem coração não há sentimentos e nem emoção.
Agora que todos conhecem Paulinho, fica fácil entender porque ele é feliz com tão pouco. Aquelas cordas manuseadas são a sua vida, são elas que ditam seu destino, seu caminho e seus movimentos. Depois de tanta felicidade no final da cena as cordas são largadas e sem as mãos do manuseador Paulinho fica imóvel, abandonado, incapaz de movimentos, sem pensar e sem vida.
Ao lado de Paulinho havia uma boneca de pano. Uma daquelas bonecas feita de retalhos cheia de detalhes e mesmo não sendo uma boneca normal, ela não é como ele. Seus movimentos não necessitam de cordas e sim das mãos, pois ela é um lindo fantoche com vestidinho de babados carregando nos cabelos negros uma pequena estrelinha rosa que não brilha. Seus olhos também não enxergam e ela por mais que tente não consegue ouvir. Mesmo sendo linda, sua cabeça de pano é incapaz de pensar e sem coração também desconhece os sentimentos e as emoções.
Eles se conheciam em pequenos momentos, atuando em encontros casuais involuntários, nas cenas em que seus manuseadores lhes davam uma pequena oportunidade de viver dialogando, às vezes até juntinhos, porém nada disso fazia diferença, uma vez que eles não tinham estímulos próprios.
Eles eram tão felizes. Maldito o dia que lhes deram coração!
O coração é onde nascem os sentimentos, que depois são bombeados pelo corpo por meio das artérias causando uma sensação estranha, a qual nos faz arrepiar nos momentos de sentimento e emoção.
Paulinho ganhou um coração que espontaneamente lhe trouxe a emoção de viver, agora a vida tinha cores e as palavras pareciam doces tão saborosos que pareciam insaciáveis. A sua vida encontrou um sentido e ele não queria mais ficar inerte no tempo. Toda aquela felicidade de estar vivo durou muito pouco tempo, pois ele percebera que era um escravo daquelas cordas, elas não o deixavam viver, pois amarravam seus braços e pernas limitando seus movimentos e restringindo seus espaços. Ele não aceitava o que estava acontecendo e sofria, pois havia tanta beleza naquele mundo tão grande e ele estava confinado a sofrer.
Jogado num canto ele parecia não ter vida, porém sua cabeça continuava dura, mas agora pensava e sem entender o que estava acontecendo lamentava:
- Que vida ingrata! Não consigo me mexer, apenas observar e esperar! Paulinho nem imaginava que tudo iria piorar.
A vida segue imparável e incansável fazendo tudo se movimentar à sua volta e foi num desses momentos que ele escutou pela primeira vez o nome da boneca que fez seu corpo arrepiar. Aquele coração que colocaram em seu peito passou a ser dono dos seus pensamentos trazendo uma vontade descontrolada de se aproximar dela, chegar pertinho e matar aquela carência de carinho.
Adoramor era uma boneca linda e em seus movimentos parecia dona de suas vontades. Ela se exibia fazendo poses, abusando nos movimentos dos cabelos e com brilho no olhar, até a estrelinha em seus cabelos também começou a brilhar, porém não demorou muito para ela perceber que também era prisioneira, seus movimentos eram dependentes daquela mão e fora de cena também ficava imóvel.
Os dois jogados sobre a mesa, distantes e apenas trocando olhares incapazes até de piscar, mas condenados a chorar um choro sem lágrimas, mas sentido numa alma aprisionada no momento em que lhe deram corações. Essa angústia, tristeza, ansiedade e incapacidade viraram ódio.
Paulinho decidira não obedecer mais aos movimentos dos cordões. Agora ele agiria de acordo com as suas próprias vontades e se negaria a fazer qualquer movimento do manuseador, a partir desse momento ele faria a sua própria história.
A cena começa e Paulinho desobedece. Ele mantém se parado, se opondo às vontades das cordas, porém suas forças contrarias não eram suficientes e ele resolveu ir além, agarrou se às cordas, subiu pelos cordões até a mão do artista e no momento em que estava subindo no corpo dele, Paulinho conheceu o outro lado da vida, a crueldade humana. Toda aquela rebeldia causou um descontrole e susto do contador de histórias que o lançou longe, jogando-o ao chão e o desmontando em pedaços.
Adoramor observou toda aquela cena trágica, que deixou a sua cabeça de pano confusa, pois presenciara tudo sem entender, para ela aquela cena era parte da história, então por que destruíram Paulinho. O que ele fizera de tão mal?
Pelas vidraças da janela aberta entrava os raios de sol quente iluminando o boneco aos pedaços. Enquanto Paulinho era aquecido pelo sol seus olhos brilhavam e à medida que os raios partiam deixavam na sombra apenas pedaços de madeira sem vida.
A vida era muito complicada para ele e agora Adoramor vê apenas seu corpo dependurado, amarrado pelas mãos e pés como um prisioneiro, porém isso não o faz infeliz, já que seu coração não funciona mais e as cordas são a única esperança de um dia voltar a viver, nem que seja apenas um momentinho ao lado dela.
No olhar eles se encontram, no pensamento também, mas na história que foi escrita para eles, aquela em que eles vivem correndo e brincando o final é sempre o mesmo. Separados e distantes.
ZzipperR
Paulo Ribeiro de Alvarenga
sábado, 6 de agosto de 2011
O mistério do arco-íris
O mistério do arco-íris
Parece uma lenda, mas não é! Mesmo tendo acontecido no meio de uma mata fechada, onde uma gigantesca cachoeira exigiria movimentos da cabeça de seus admiradores para enxergar o início visual da quedas de suas águas.
A mata selvagem se esforçava ao máximo com seus galhos e cipós trançados para evitar a entrada de intrusos, porém um dia suas defesas foram violadas, foi quando pela primeira vez uma garota usando um vestidinho estampado com lindas flores de pétalas gateadas pisou em suas pedras se envolvendo com os segredos ocultos da cachoeira, os quais permanecem guardados junto à história do grande arco-íris.
Num amanhecer quente de uma manhã de verão a grande cachoeira ecoava uma canção eterna de amor lançando suas águas sobre as pedras. Ela tentava jogar suas águas o mais longe possível e nessa tentativa via suas águas se perderem formando uma neblina levada pelos braços do vento, que num sereno cristalizado umidificava as folhagens, saciando a sede e dando vida à mata nativa.
A grande cachoeira percebe a garota de cabelos longos e negros chegando como uma índia selvagem para invadir suas águas. A menina de olhos castanhos caminha pelas pedras até chegar ao pé da cachoeira. Com os braços erguidos para o céu ela fecha os olhos permanecendo imóvel e parada, apenas sentindo seus cabelos serem molhados e a água gostosa escorrendo pela sua pele morena molhando o seu vestido florido que passa a grudar nos relevos do seu corpo.
Toda molhada! Ela grita palavras de amor à natureza agradecendo pela sua esplendorosa beleza. O eco dos seus gritos, por mais alto que seja! Não conseguem ultrapassar os limites da natureza e são consumidos pela mata selvagem, ocultando do mundo os segredos do arco-íris.
A menina poesia olha em sua volta e vê a cachoeira jogar águas sobre a pedra que ela está. Formando um lindo arco-íris à sua volta. Não tendo como se defender ela viu suas cores se misturarem às do arco-íris, que desafiado lança ao mundo o mágico das cores.
As águas são lançadas violentamente sobre as pedras fazendo um barulho ensurdecedor, essa queda furiosa das águas chocando sobre as pedras dão origem a um gigantesco arco-íris. Nele surge o mágico das cores saindo vultuosamente daquela névoa densa e chegando como um banho de cores. Um vulto que penetra e atravessa seu corpo. Sem perceber o que está acontecendo, ela misteriosamente passa a fazer parte do corpo do mágico, inacreditavelmente viva e estampada em sua capa.
As pessoas da pequena cidade logo avistaram aquele grande arco-íris que se formara saindo da mata selvagem. Das suas cores surgiu um personagem extremamente estranho usando uma cartola colorida, nas costas vestia uma grande capa vermelha com uma garota viva estampada nela. À medida que ele caminhava, a garota observava a curiosidade das pessoas. Ela movimentava os olhos e a cabeça observando tudo o que estava acontecendo, porém ao vê-la presa àquela capa vermelha as pessoas ficavam estáticas, com medo e assustadas. Na mão esquerda do mágico havia um pequeno rinoceronte. O qual ele usava como um fantoche para atrair o foco da atenção das pessoas.
Seu caminhar era lento. Atencioso e detalhista e com pequenos movimentos do seu rinoceronte fazia tudo que estava a sua volta criar cores. Mesmo as almas que insistiam em viver na escuridão tinham seus momentos coloridos. Os corações das pessoas batiam mais vermelhos deixando a tonalidade da pele muito mais corada. As plantas abriam suas flores com pétalas coloridas e a beleza se fazia presente fazendo em tão pouco espaço de tempo um mundo feliz.
Os habitantes descrentes daquela cidade imaginavam: O que aquele louco estaria fazendo ali? Ignorantes sobre a misteriosa beleza expressada em cores resolveram confrontá-la e destruí-la. Em cada passada o mágico cultivava amor, atrás dele seguiam apressados os escravos do tempo, cegos e incapazes de enxergar tal beleza e em cada passo dado destruíam a expressão bela da arte plantada pelo mágico.
O mágico apontava seu rinoceronte na direção das pessoas e elas imediatamente se assustavam, porém era uma reação momentânea, pois logo eram seduzidos pelo lado belo da vida num mundo cheio de cores. O mágico das cores com seu rinoceronte à frente desafiava o abandono do mundo, não aceitava o desrespeito com a natureza e insistentemente lançava seu arco-íris ao céu para que as cores não fossem esquecidas.
Da capa a menina poesia observava tudo e se indignava com a atitude destrutiva dos escravos do tempo cegos para a arte e incapazes de ver cores. Eles seguem destruindo toda a magia da poesia e caminham mais rápido que o mágico apagando suas cores.
Os raios solares ardentes sinalizavam que era a hora de partir e salvar o mágico daquela doença sem cura. A menina apaixonada por versos agora também era apaixonada pelas cores e se sentia incapaz, já que tinha apenas palavras como armas.
Aos olhares de todos. As cores foram perdendo a força e clareando, pouco a pouco ficando transparentes. O mágico já não tinha as pernas para andar, logo não tinha as mãos para colorir, junto com o seu rinoceronte e com sua capa vermelha pulsando amor pelas batidas do coração da menina poesia foi levado de volta para o seu ninho, que ficava ao pé da grande cachoeira escondida no meio da mata nativa. Inesperadamente uma grande quantidade de água caiu sobre a menina de cabelos longos, que já não estava mais estampada na capa do mágico e sim sobre um pequeno rochedo liso. Não conseguindo se equilibrar, ela foi lançada ao lago de águas frias.
Ela olhou ao pé da grande cachoeira, onde as águas encontram o solo e havia um arco-íris em circulo parecendo cansado e dormindo, por isso a menina saiu em silêncio, levando o segredo com ela e certa de que não adiantaria mostrar a grande cachoeira ao mundo, pois nem todos teriam capacidade de ver sua beleza, o que faria os cegos da arte não verem sentido de preservação e começarem a destruí-la.
Zzipperr
Paulo Ribeiro de Alvarenga
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