sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Caminhando no lado misterioso da vida






Caminhando no lado misterioso da vida


Sonhando acordada num jeito misterioso de viver, ela imaginava um sol enigmático, talvez pelo seu jeito místico de acreditar nas forças externas, tal crença enriquecida em seus objetivos fortalecia mais e mais sua crença na relação futuro e figura, num pacto pessoal centrada e acreditando friamente nos poderes ocultos e atração não só dominadora, mas também previsora como um feche de luz capaz de revelar o que está escrito no mundo escuro do futuro.

Ela percebeu que no movimento intercalado das relações de previsão e realidade, havia uma onda diferenciada de resultados favorecendo um jogo de insinuações providas de impulsos de desejos inseguros e vontades obscuras.

Ela não estava insegura, apenas balançava a cabeça e as mãos relaxando a tensão do corpo e da mente após receber as previsões contidas nas cartas.

Se outra pessoa me contasse, eu não acreditaria, mas foi ela que me contou, já que não era um sonho e sim uma maneira de manusear o desconhecido, um meio sedutor e curioso de ultrapassar os obstáculos descartadores que estão escondidos no universo ao mesmo tempo sedutor e cruel, no qual estamos localizados querendo pegar tudo que está ao nosso alcance e por outro lado somos focados por outros com o mesmo desejo.

As dúvidas na vida da garota começaram a partir do momento em que ela conheceu uma velha cartomante, que era uma mulher serena no equilíbrio das palavras, porém trazia um olhar astuto como de uma raposa na guarda da sua ninhada.

Os segredos evocados na leitura das cartas eram profundos, carregados e temperados num tom do além, parecendo ser produto de uma força maior que a própria verdade, ou seja, trazia um poder sobrenatural de colher fontes futura como se estivesse colhendo frutos maduros em uma árvore da vida.

Olhando aquelas cartas compridas e velhas sendo manuseadas pelas mãos hábeis daquela cartomante parecem ser inofensivas e mesmo parecendo estar segura naquela consulta divinamente proibida, alguma coisa a assustava, pois aquelas cartas compridas e velhas pareciam ter sido usadas por uma eternidade de tempo, já que estavam gastas, desbotadas e até rasgadas.

Que poderes estariam escondidos naquelas figuras? Uma vez que era impossível escolher a carta previsora do destino, mesmo porque elas eram retiradas aleatoriamente, uma a uma, tal quais os dias que com suas diferenças envolve-nos em suas instabilidades.

Pensar que os conflitos da vida dela começaram em cartas embaralhadas por uma cartomante seria um erro, primeiro que não eram simples cartas, não tinha como duvidar, tudo estava escrito nelas. Segundo porque a velha cartomante lia cada detalhe e o que mais impressionava era que em cada carta havia uma figura diferente da lua descrevendo e desvendando os sentidos da vida dela em suas várias faces e fases.

Os dias rolam como a lua e esse girar constante às vezes nos deixa tontos, uma tontura parecendo quase proposital, na qual a lua com sua força magnética influi indiretamente nas nossas vidas por meio dos dias , nos conduzindo intercaladamente expostos às forças do bem ou do mal e para termos consciência de tal condução momentânea que nos domina, basta fazer uma reflexão momentânea pessoal.

A solidão e o desencanto fazem com que ela se afastasse das cartas, mas o coração a trouxe de volta, pois a paixão traidora traz em sua calda uma carência insaciável de atenção, desestabilizando momentaneamente os compassos do coração. Os dias escurecem em tempestades de dúvidas, embriagando com dificuldades e cambaleando nos passos antes firmes, porém agora medrosos e inseguros.

Há tempos ela não recorria às cartas, mas esta insegurança no amor gerou um estado de desconfiança insuportável, no qual o ciúme corrói os pensamentos e as atitudes, consequentemente toda essa agonia a levaram de volta às mãos da velha cartomante.

Se antes o local era assustador, agora é muito mais, pois parecia estar esquecido pelo mundo, já que havia apenas uma mesa e pouca luz, nem as cortinas eram abertas, porém não era isso que interessava à garota, ela queria informações além da sua visão.

A velha cartomante sentou-se calmamente à mesa, serena e com toda a tranquilidade abriu a gaveta e pegou as velhas cartas misteriosas. No exato momento em que as cartas foram pegas, algumas caíram de sua mão sendo imediatamente ignoradas pela mulher, como se não fizessem parte do destino ou fossem descartadas pelo próprio futuro.

As velhas cartas são embaralhadas tranquilamente como se tudo já estivesse previamente escrito. A primeira carta é retirada e colocada sobre a mesa, nela estava estampada a lua plena e bela, cheia de vida entre as nuvens e uma rareada neblina. Ela faz uma pequena observação na carta e interpreta em poucas palavras:

- Houve um pequeno espaço de tempo em que você permaneceu sozinha e reservada, mesmo assim estava radiante e feliz, porém agora quer abrir as cortinas do futuro.

Outra carta foi retirada e colocada na mesa, uma carta velha e rasgada faltando um pedaço. Nesta carta a lua mostrava apenas metade do rosto, parecia manter-se escondida observando a figura de um sol com raios frios e congelados.

- Você está apaixonada por alguém, porém a distância impede de sentir o seu calor.

- Está faltando um pedaço da carta. Como vou saber o que estava nesse pedaço?

- A carta é explícita e clara. Essa parte você já conhece, ou seja, é a terceira figura.

- Então é certo que existe a terceira figura?

- Você sabe a resposta, agora vou virar a última carta.

Outra carta rasgada faltando um pedaço, nela a lua estava crescente e brilhante, o sol timidamente lançava raios de calor sobre ela, porém faltava quase metade da carta.

- Ele gosta de mim?

- gosta.

- E o restante da carta? Como vou saber o que tinha na parte que falta?

- A carta é transparente nos segredos da vida, se não é mostrado, é porque você sabe o que está lá.

- Leia mais uma. Por favor!

- Não posso! Se eu fizesse isso, estaria traindo o meu pacto com o futuro oculto.

Ao levantar da mesa uma carta caiu da mão da velha cartomante, talvez por dificuldade e deficiência dos movimentos das mãos idosas e doentes. Ela imediatamente falou para a garota:

Não pegue essa carta! Porém a garota aproveitando a oportunidade rapidamente se apossou da carta e quando olhou, viu que havia apenas a figura da lua, o sol havia desaparecido de seu futuro.

Ela olhou profundamente para os olhos da velha cartomante e falou:

- A senhora é uma mentirosa! Eu não acredito nessas cartas velhas e rasgadas. Eu devia jogá-las no lixo. Depois se levantou, pegou sua bolsa e saiu apressadamente daquela casa misteriosa e escura. Ela caminhou durante um tempo e resolveu voltar para pagar e pedir desculpas.

Num pensamento confuso em idéias embaralhadas ela voltou à velha casa, ao chegar encontrou apenas a casa velha e abandonada. Não havia ninguém na casa. Qual seria a verdade de tudo aquilo?

Sem encontrar ninguém, ela foi embora caminhando pela calçada, na qual se encontrava uma mulher velha pedindo esmolas, passou sem dar atenção, depois parou, pensou e voltou. Ao chegar àquela senhora, tirou dinheiro da bolsa e entregou nas mãos dela dizendo:

- Aqui está o pagamento da consulta às cartas. Agradeceu e foi embora.

Paulo Ribeiro de Alvarenga
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domingo, 6 de novembro de 2011

Jogando pedras no lago





Jogando pedras no lago

O cheiro forte de mato molhado de sereno parece um combustível poderoso para o sangue e a mente. O desejo poderoso de brincar que flui de dentro da gente é tão grande que dá inveja dos animais silvestres, essa liberdade de correr, subir nas árvores e nadar nas águas desse pântano maravilhoso.

Sinta o barulho encantador das águas da cachoeira.

Chuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!...Um barulho infinito que parece conversar com a gente. Parece entender a gente, nossos sentimentos, vontades, desejos como se fossemos parte integrante desse mundo encantado e semi-virgem, só não é absolutamente virgem porque penetramos nesse útero de flores e matas selvagens plenamente intocáveis.

A noite fria perde o sentido, o frio se perde no sentido, sem sentido o frio se perde na noite, a mesma noite que faz a gente se perder, se perder no calor do amor. A noite fria se vai e na medida em que se despede o quadro visual assume cores vivas, algumas dominantes e outras passivas.

O espelho d’água faceado sobre o lago reflete o brilho dos raios solares iluminando a imensidão de imagens verdes e suas sombras. Quebrando essa grande vidraça natural, brincamos como crianças jogando pedras em saltos deslizantes. Cada salto alcançado pela pedra nos dá direito a um pedido.

A menina do pântano caminha no meio das águas correntes claras e límpidas, agacha no meio da água e pega uma pedra branca com listras pretas, volta e senta ao meu lado na grande pedra dos desejos com um olhar fixo, penetrante e vitrificado no grande lago. Aquela meditação determinada parecia um pacto entre seus desejos e a grande lagoa da cachoeira, ela parecia estar decifrando e entendendo o linguajar das águas.

A névoa da cachoeira deixou seus cabelos molhados, o sorriso úmido deixou sua boca mais saborosa, no olhar havia um desejo oculto em segredo e o seu vestidinho amarelo colado ao corpo fazia dela uma linda flor do pântano, bela, charmosa, perfumada e atraente, seu desejo era tão profundo que parecia ter brotado e se tornado parte integrante daquele paraíso verde.
Ela lançou a pedra que deu três saltos, sorriu como se estivesse realizada em seus desejos e depois mergulhou nos braços e abraços das águas da lagoa, ao subir à tona parecia uma grande flor enfeitando o verde refletido em vários tons.

Não sei qual foi os desejos dela, mas rapidamente peguei uma pedra na margem da lagoa e lancei naquele espelho verde. A pedra deu apenas um salto, nem pensei e pedi o que eu mais desejava: Nunca mais quero sair desse lugar e me tornar parte desse pântano maravilhoso. Depois mergulhei nas águas do lago me entregando aos braços da natureza.

Mergulhamos e começamos a fuçar nas pedras no fundo do lago, lá encontramos duas pedras em forma de coração, com um leve toque demos vida a elas, pois daquele momento em diante, aquelas pedras passaram a ser o símbolo do nosso amor.

Saímos da água e corremos brincando na mata como animais selvagens procurando morangos silvestres vermelhinhos, madurinhos e gostosos, eles deixam nossos beijos muito mais doces e gostosos.

Não somos mais estranhos naquele lugar, nos tornamos parte e completamos sua beleza natural, a nossa forma de amar se tornou muito mais selvagem, porém muito mais carinhosa e gostosa.


Paulo Ribeiro de Alvarenga
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Fera e a Bela



A Fera e a Bela


Numa cidade calma do interior, onde todos sabiam tudo o que acontecia, não tinha como não notá-la, pois ela era bela como uma flor perfumada e atraente, por onde ela passava todos olhavam.

Sempre caminhando atenta e apressada, parecia até que estava sendo seguida. Ela não queria ser seguida, pois seu coração batia forte por uma Fera com o coração doce e que chorava muito.

Bela andava rápido. Às vezes até corria e sumia no silêncio da noite, parecia correr em segredo num sonho só dela. Ela corria, corria muito até chegar a um lugar quieto parecendo uma caverna. Parava na porta e respirava fundo chegando a temer, mas entrava e lá encontrava a Fera.

A Fera quando via a Bela chegar ficava quietinho, só olhando e apreciando os seus olhos lindos arregalados de medo, seu sorriso atraente, sua atenção e seu carinho. Ele olhava a Bela charmosa, aquela menina linda e chorava. Depois pedia:

- Bela! Fica perto de mim, não me abandone. Eu posso ser uma Fera, não ser tão lindo quanto você, mas te dou meu carinho.

A Bela olha aquela linda Fera. Teme, mas se aproxima. Pega a sua mão, senta pertinho e fala:

- Sabe Fera! Não é mal ter um amigo fera, quando a gente sabe que ele é Fera.

- Sabe Fera! Como é bom saber que quando eu choro. Você também chora.

- Sabe Fera! Eu fico pensando como a vida é interessante. Eu sou Bela, você é uma Fera e estamos aqui juntinhos, falando, pensando e brigando, mas estamos juntos.

- Sabe Fera! Você é uma bela Fera com suas belezas, olhar feroz, jeito feroz, mas manso, muito mansinho. Eu sei que é!

- Vem Fera! Vamos gritar bem alto. Eu com meu grito belo e você com seu grito feroz, pois a nossa amizade o tempo não vai apagar.

- Vem Fera! Já que não podemos correr na vida, vamos correr no sonho, correr no escuro, correr gostoso, correr em paz.

A Fera olhou a Bela que estava com um olhar feroz, que pegou em sua mão e puxou para fora da caverna. Depois saíram correndo no escuro, ninguém vê, mas eles estão lá, correndo juntos, pensando juntos e confortando um ao outro, mesmo um sendo a Bela linda, charmosa, atraente e carinhosa e o outro sendo a Fera, não duvide de sua beleza, pois tem uma beleza feroz interior, que trás muito amor e carinho para confortar a linda Bela.

Naquela pequena cidade, ninguém mais viu a Bela, mas todos sabem que ela encontrou uma Fera, se encantou com seu carinho e hoje corre no escuro com ele. Se você olhar com atenção, verá passar correndo na escuridão, a Fera e a Bela.


Paulo Ribeiro de Alvarenga
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O beijo de um estranho



O beijo de um estranho

Eu acordei muito cedo e quando saí para correr estava um nevoeiro muito forte, a neblina era tão intensa que ficava impossível enxergar a dois metros de distância, mesmo assim saí para correr.

O sereno estava tão forte que chegava a assustar, pois trazia uma situação que levava a uma sensação constante de perigo, porém também tinha uma beleza incomum, parecendo estar num sonho oculto, numa privacidade total onde ninguém invadiria com olhares, pensamentos ou julgamentos.

Comecei a fazer aquecimento antes de correr e escutei passos correndo em minha direção, então mantive silêncio para não ser visto. Ao se aproximar, eu percebi que era uma garota correndo na cortina de névoa, que como um vulto se aproximou parando bem próxima a mim.

Silenciosamente me aproximei dela, tapei os seus olhos e percebi ela tremer de medo, então falei:

- Fique tranquila! Eu não farei nada de mal para você, apenas te darei um beijo estranho nesse mundo estranho, um beijo do estranho da neblina.

Ela tremia de medo. Eu me aproximei da sua boca tremula, amedrontada e fria, mesmo assustada eu a beijei rapidamente, depois perguntei:

- Vamos correr menina estranha?

Saí correndo e ela virou rapidamente vendo o meu vulto desaparecendo no meio da neblina forte, depois saiu correndo atrás de mim.

Naquele nevoeiro forte, eu escutava os passos dela correndo ao meu lado, querendo a minha companhia, se aproximando e se sentindo segura ao meu lado.

Nós corríamos cadenciados, mas não conseguíamos ver o outro claramente. Conseguíamos ver apenas um vulto correndo ao lado e escutávamos o som das passadas fortes no asfalto frio. Éramos dois estranhos correndo juntos no meio da névoa úmida, mas querendo o calor humano do outro, mesmo que distante.

O som de cada passada soava como uma palavra em nossos ouvidos e soava como uma canção de fundo em um sonho vivido em meio à neblina, que nos levava como pássaros voando no meio das nuvens.

De repente ouvi mais passos, havia mais uma pessoa correndo no meio do nevoeiro, nosso sonho estava sendo invadido, havia um intruso no caminho e o silêncio calou os passos dela, pois eu ouvia apenas os meus passos. Então parei e resolvi voltar para entender o que acontecera, mesmo não conseguindo enxergar, voltei.

Eu voltei calmamente em passos cautelosos tentando encontrá-la, mas não consegui, talvez ela tenha mudado de direção e caminhado em outro rumo, pois voltei até o ponto de partida e não encontrei mais sinal dela.

Será que tudo isso realmente aconteceu ou foi um sonho no meio da neblina, mas se aconteceu eu fico pensando: No meio da neblina forte ela recebeu um beijo, mas não conseguiu ver o rosto estranho que a beijou, só sabe que gostou, pois foi um beijo estranho como nunca havia beijado, foi um beijo de um estranho que trouxe uma sensação estranha e a partir desse beijo ela também se tornou uma estranha no meio da neblina forte.

Eu continuei correndo no meio da neblina até amanhecer na esperança de encontrá-la. O sol apareceu e levou a neblina embora tirando as minhas esperanças de encontrá-la. Clareou o dia e agora enxergo nitidamente, mas quando penso nela, apenas lembro-me de uma estranha correndo em meio a um nevoeiro muito forte e sinto um gosto estranho na boca.

Sinto o gosto do beijo estranho dela.

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Paulo Ribeiro de Alvarenga

domingo, 2 de outubro de 2011

O cego e a prostituta




O cego e a prostituta


Como é estranho o caminho das pessoas, alguns nascem em berço de ouro, outros têm caminhos coloridos e fáceis de viver, mas ela não, ela era pobre e morava numa cidade pequena do interior, nem sei o nome da cidade, mas o dela eu sei, ela se chamava Esperança.

Esperança era linda desde criança, tinha cabelos encaracolados e lindos olhos azuis, que chamavam a atenção.

A menina era como uma flor desabrochando e cada dia ela ficava mais linda. Mesmo garotinha já chamava a atenção dos homens.

Sem conhecer as armadilhas da vida, um dia Esperança com o seu coração inocente e bom se engraçou por um homem muito mal, que abusou da sua inocência e a levou embora daquela cidade para sempre.

Aquele homem ao qual ela entregara o seu coração de menina nunca cuidou dela, apenas abusava e judiava. Com o passar do tempo os olhos da menina começaram a ficar tristes e o seu coração infantil começou a odiar a vida, sem esperanças ela resolveu ir embora partindo no silêncio da noite, escondida e só com a roupa do corpo.

Seus olhos ficaram tristes e seu coração estava magoado, mesmo assim ela continuava linda, atraente e bela. Desiludida e sem ter como sobreviver, ela resolveu vender seu corpo para o prazer.

Com o passar dos dias Esperança descobriu que não era feliz e que ninguém a deixava feliz. O sorriso de menina a vida levou, sua alma não tinha mais paz, desesperada queria acabar com a própria vida, pois não tinha mais esperanças.

Um dia a vida resolveu iluminar o seu destino, foi no exato momento em que ela percebeu a dificuldade de um cego para atravessar uma avenida. Ela prontamente pegou em seu braço e o guiou até o outro lado. Quando chegou ao outro lado o cego falou:

- Eu sinto o seu coração apertado e descompassado, também sinto tristeza nele, mas ele não é mal é um coração bom e caridoso. Ela contou a sua vida para o cego, que falou:

- Eu moro sozinho, tenho um bom emprego e lhe acolho com todo o respeito, até você encontrar um caminho na sua vida, se não achar pode ficar para sempre.

A vida sorriu para Esperança, os seus olhos não eram mais tristes e o seu coração batia feliz, vivendo feliz ela parecia mais bela.

O homem cego sempre a respeitou e fazia tudo por ela, não deixava faltar nada. Ela vivia num ambiente de amor, harmonioso e carinhoso.

Num momento de fraqueza e de ilusão Esperança tornou a vender seu corpo, não por necessidade, nem ela sabia por quê? Queria dinheiro.

Ela não suportou trair a confiança do cego e contou para ele, que falou:

- Esperança! Um dia você foi os meus olhos para atravessar a avenida, hoje eu sou os seus olhos para atravessar a vida. Eu não posso te abandonar no momento que você mais precisa de mim. Hoje você é cega e quem enxerga sou eu. Por favor! Abra os seus olhos que eu preciso de você comigo, pois hoje você é muito importante para mim e eu te amo muito.

Esperança abriu os olhos para a vida, olhou para o homem cego descobrindo como ele era lindo e nunca exigiu nada dela. A partir daquele momento ela entregou o seu carinho e seu amor para ele.

De repente a vida da menina de cabelos encaracolados iluminou com o brilho do amor deixando tudo mais claro para ela e seguiram juntos de mãos dadas por um caminho feliz.

Enfim Esperança encontrou o caminho do amor e da felicidade.

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Paulo Ribeiro de Alvarenga

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Meu jeito silencioso de pensar


Meu jeito silencioso de pensar

As palavras às vezes nos surpreendem, pois muitas vezes chegam silenciosas trazendo gritos do coração e da alma transmitidos pelo olhar. Palavras transmitidas pelos pensamentos e traduzidas pela intuição. Muitos desses gritos calados estão emudecidos pelas amarras do amor. O amor que parece uma estrada infinita sem começo e sem fim mantendo-nos aprisionados eternamente sem encontrar a saída.

Somos uma escultura em obra permanente, onde são lapidados nossos detalhes e mudado nossas formas, desta maneira nos tornamos obras lindas que nunca ficarão prontas, já que somos detalhados por mãos humanas que nem sempre sabem o que realmente querem.

Nas mãos e no coração dessas pessoas é que esta a força e o poder do amor, que no momento ápice do prazer lança uma chuva de sementes dando origem à vida, que cresce brota e aflora seus desejos se misturando e se espalhando pelo mundo no exato momento em que anjos se amando deixam de ser anjos e passam a ser pecadores.

Não é difícil encontrar um apaixonado perdido no mundo da lua confuso em seus próprios sonhos, uma vez que eles já o envolveram e o consumiram em desejos deixando apenas um ponto no escuro da intuição, onde cada pensamento é uma estrelinha riscando o céu da inspiração, da vontade e da emoção.

As lágrimas ocultas escondidas na noite viraram segredos do coração, fortalecendo o labirinto do orgulho que é o grande inimigo do amor e capaz de confundir as decisões. Será que as dúvidas dessa noite vão passar? Não! Porque a resposta sempre será a mesma: A culpa é toda do outro.

Deve haver um jeito de viver e ser feliz nos extremos da vida, onde somos envenenados por um veneno de cor vermelha que vem de um frasco em constante movimento situado no peito, onde a dose é aplicada com beijos anestesiantes e no momento da paixão louca a picada da serpente, uma picada penetrante na carne que acerta o coração inocente anestesiado por beijos venenosos, que faz o corpo tremer ardendo em febre de loucura e paixão.

Às vezes o amor fica petrificado na alma, por uma decepção amorosa e mal resolvida que não consegue ser diluída pela corrente sanguinea. Como encontrar a cura? Estaria a cura no próprio amor em doses cavalares de carinho e beijos de montão. Enfim! Não sei se somos nós que não entendemos o amor ou é ele que não nos entende.

Ficamos apaixonados um pelo outro, nosso coração pulsa lançando o sangue quente pelo corpo como raios solares ardentes que fazem suar de desejo, queimando a pele, estampando o olhar e o sorriso iluminados por uma doença sem cura chamada amor, mesmo porque ainda não inventaram a cura para a paixão e para aliviar a angústia e a dor só fazendo amor.

Tudo está registrado no DNA dos nossos sonhos, neles estão nossos anseios, vontades e desejos. É sonhando que choramos, brincamos, fazemos mágicas e amamos. Sonhando, brilhamos felizes em mágicas de desejos, onde saboreamos esperanças de que um amor gostoso nunca vai acabar ou alimentamos expectativas de que um grande amor realmente acontecerá.

Entre a pizza e o hambúrguer fico confuso, talvez por estar em posição de uma página toda rabiscada de uma vida difícil de entender, uma vez que as lagartas lançadas ao vento por palavras vindas como borboletas bonitas se apoderam do meu cérebro me deixando sem raciocínio, fazendo minha cabeça oca virar um circulo vazio, uma bola coberta de cabelos que olha o mundo afora e percebe que está perdido, pois um dia se apaixonou.

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Paulo Ribeiro de Alvarenga

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Cata-vento




Cata-vento

Tudo começou em um enorme e velho cata-vento construído no topo de uma montanha, o qual todos diziam ser abandonado. Ninguém sabia dizer se aquele fantasma gigante com suas grandes pás girando era uma maldição e até evitavam fazer perguntas por medo ou receio de sofrer algum mal, fato é que daquele grande cata-vento velho saía todos os dias uma garota com seu vestidinho rosa correndo a brincar e descia até a cidade para vender pequenos cata-ventos coloridos.

Havia alguma habilidade secreta de transformação ágil e repentina naquela colina viva. Uma capacidade incompreensível pela competência humana capaz de uma reflexão contagiante em um simples olhar. Será que a maldição estaria no velho cata-vento ou na mata que o rodeava?

A menina rosa chega à cidade acenando com o suave soprar do vento, trocando pensamentos em silêncio com a sabedoria de um velho cata-vento, girando com seu vestido rosa e respondendo com um leve sopro quente, ardente e inteligente.

Fixo meu olhar e a minha atenção na menina de vestido rosado, mantendo escondida minha curiosidade num sorriso estampado, imaginando qual seria a maldição trazida por ela naqueles olhos dourados, me entregando a ela e me sentindo amarrado, dominado. Lentamente me aproximo dela permanecendo quieto ao seu lado, reparando num pequeno cata-vento que deixa os seus cabelos longos e negros discretamente enfeitados.

Palavras entre nós não existiam, apenas a troca de olhares e a brisa silenciosa do vento lançando gotas geladas por um céu cinzento e no momento em que estava quase escurecendo, o vento aumentou sua intensidade trazendo uma onda de frio que arrepiava, aquela brisa gelada parecia um sinal chamando a menina rosada, que pegou rapidamente os cata-ventos e saiu correndo por uma trilha aparentemente abandonada, atravessando a mata e subindo a montanha.

Mesmo não sabendo seu nome tentei chamá-la, porém não consegui sua atenção e apenas a vi correndo pela trilha que cortava a mata, o contraste do seu vestidinho rosa embelezava a mata como se fosse uma linda flor levada pelo vento num vôo montanha acima.

No alto da montanha escurecida pela queda da noite o grande e velho cata-vento girava lentamente como se estivesse cansado pelo tempo, em cada giro parecia estar chamando sua estrelinha encantada, que no escuro da noite brilhava correndo como uma estrela cadente no meio da mata.

Notem o que aconteceu comigo! O vento frio trazia uma garoa gelada molhando meus cabelos, escorrendo pelo meu rosto e atrapalhando minha visão, aquela maldição se apossou do meu coração, da minha alma, dos meus sentimentos, das minhas vontades e do meu querer me deixando atrapalhado.

Na montanha escura eu via o vulto do grande cata-vento, como se fosse um monstro faminto se alimentando do vento e mantendo no topo de sua cabeça a menina de vestido rosado prisioneira, que num pedido de socorro emitia um foco de luz brilhante em minha direção com um poderoso poder de atração.

A trilha escura parecia assustadora, mesmo assim decidi me arriscar e logo encontrei as pegadas da garota para me orientar, ela deixou cata-ventos de todos os tamanhos decorando a mata que girando me informavam o sentido a seguir.

Cheguei ao pico da montanha e encontrei o grande cata-vento gigante, que frente a frente não parecia tão assustador, mas com o movimento de suas pás ao vento ecoava um som amedrontador assim: Rrruuuuuuááác... Rrruuuuuááác... Rrruuuuuááác... Ao pé do grande cata-vento havia um enorme jardim de pequenos cata-ventos coloridos, todos girando em sintonia.

Toda aquela beleza me deixou fascinado, já que era um espaço surreal muito além do meu imaginário e no momento em que eu apreciava aquela arte tão bela alguém chegou por trás de mim e tapou meus olhos dizendo: - Vamos brincar de esconde-esconde! Conte até vinte depois pode virar.

O toque das suas mãos macias e a sua voz pertinho do meu ouvido me deixou feliz, então resolvi brincar e comecei a contar, depois fui procurá-la. Não havia onde se esconder naquele local, então eu subi no grande cata-vento para olhar do alto, de lá o campo de visão é muito maior e quando eu estava no topo, olhando aquele grande jardim de cata-ventos girando me distrai com uma forte emoção de liberdade, até levei um susto quando meus olhos foram tapados novamente e ela falou: - Você não conseguiu me encontrar, conte até vinte e tente de novo.

Contei e ela sumiu, então resolvi procurá-la naquele imenso jardim de cata-ventos. Eu caminhava e eles pareciam girar para mim, um mais lindo que o outro, tão lindos que pareciam vivos e no momento em que eu me distraí olhando um pequenino cata-vento rosa girando, ela tapou meus olhos novamente, mas desta vez eu não a deixei falar, segurei a sua mão e virei repentinamente fixando meu olhar em seus olhos, nesse erro fatal fui amaldiçoado.

Parecia haver dois cata-ventos girando em seus olhos cor de mel que me atraiam como uma serpente. Eu tentava olhar seus lindos cabelos e era atraído pela hipnose do olhar, tentava olhar sua boca rosada e sedutora, mas era levado novamente para o labirinto do olhar dela, até perder as forças e me entregar numa sensação de estar sendo desligado do mundo.

A menina do cata-vento me levou para longe e nos pensamentos distantes me entregou um cata-vento de fogo que queimou a minha mão atingindo o meu coração, meu sangue começou a ferver deixando minha pele rosada, dos meus olhos surgiam labaredas de paixão e foi beijá-la para meu corpo incendiar queimando no fogo ardente do amor quente. Para aliviar tanto calor só fazendo amor...amar...amar...amar... Depois adormeci.

Amanheceu e com a chegada do sol voltei à vida, mas a menina rosada não estava mais lá, havia apenas o grande jardim de pequenos cata-ventos girando, então resolvi voltar para a cidade e ao chegar encontrei a menina vendendo seus pequenos cata-ventos. Comprei um e ela falou sorrindo: - Agora você me encontrou!

Peguei o cata-vento na mão e sai andando com ele girando, logo percebi que ele queimava em minha mão, era a magia dela invadindo o meu coração e pedindo para eu ficar em seu mundo. O tempo girou, girou, girou e agora eu a ajudo a cuidar daquele lindo e imenso jardim de cata-ventos coloridos. Nós vivemos sonhando no nosso mundo colorido, onde tudo gira feliz.


ZzipperR
Paulo Ribeiro de Alvarenga